O livro de Adebayo Vunge consegue elaborar uma análise objetiva, que não prescinde do envolvimento carinhoso com o continente de nossos ancestrais, pois meu lugar de fala é da diáspora. É corajoso ao posicionar-se contrário ao aumento populacional, pois ter muitos filhos sempre foi um princípio tradicional em vários grupos étnicos africanos.
O autor não se exime de criticar o afropessimismo, mas também alerta para a imensidade de questões para alavancar o desenvolvimento africano, levando-se em consideração os muitos fatores regionais.
Posiciona os países africanos em relação às suas atuais políticas e sua situação na dinâmica atual das políticas internacionais em grupos distintos:
Grupo A: África do Sul, Nigéria, Marrocos, Egito, Quênia, Etiópia, Cabo Verde, Angola, Ruanda e Namíbia.
Grupo B: Zâmbia, Zimbabwe, Moçambique São Tomé e Príncipe, Gana, Guiné Equatorial, Gabão e Camarões e Grupo C: Níger, Guiné-Bisssau, Mali e Chade.
Seus questionamentos relativos ao desenvolvimento e suas indagações de por quais razões o aumento do PIB não se refletem na transformação estrutural, são logo indicados através das citações sobre as revoltas de jovens em países africanos.
Na minha opinião faltou coragem ao jovem Adebayo quanto escolheu não discutir o racismo contra negras e negros no mundo e as decisões políticas da maioria das nações em relegar o racismo como fatores de indução ao genocídio e estes genocídios estão correlacionados com o impedimento de acesso às riquezas produzidas em solo africano. Mas também de impedimento de acesso às riquezas que países hoje usufruindo do espólio produzido no período escravocrata, continuam impetrando contra a população preta no mundo uma pobreza planejada.
Este fato em nada diminui a importância do livro e dos escritos de muita competência de Adebayo Vunge. Recomendo fortemente sua leitura e fortaleça o pesquisador adquirindo seu livro.