10/10
Eis aqui a explicação do porquê o filme é excelente: a proposta do filme é mostrar o desejo das pessoas pelo sensacionalismo e pelos espetáculos insanos, e como o público se comporta quando o palhaço resolve aposentar esse personagem que só oferece 'show de horrores' e mostrar seu lado mais 'romântico' e, consequentemente, 'mais humano'. As pessoas que estão reclamando que o filme é um musical chato e com poucas cenas de ação foram aparentemente previstas e, se não diretamente, indiretamente subjugadas dentro do próprio filme. Nesse quesito, o julgamento não serve só para o palhaço, mas também para o próprio público espectador, que procura no Coringa uma válvula de escape para suas próprias insanidades ocultas, e acha frustrante quando se depara com um Arthur humano, enfraquecido, debilitado, doente, abusado, condenado pelas ironias da vida e pelo entretenimento de um público perverso e sádico. Se fosse pelo Coringa, ele teria explodido aquilo tudo para dar um fim a todo aquele show assistido por urubus. Para os que reclamam de conveniências, a cena da explosão do tribunal é uma ótima conveniência que achei realmente bem programada. Já sobre a personagem Lee, ela é a personificação de uma paixão que se tem por uma ideia, por um disfarce. Ela ama o Coringa, e não o Arthur, assim como outros 'fãs' e 'apoiadores' do palhaço apenas querem saber da figura 'Coringa', e estão pouco interessados em conhecer o drama de Arthur. É como um júri que passa duas horas conversando com o acusado e acha que já pode simplesmente dar um parecer definitivo sobre o elemento. A Lee, em 3 ou 4 filmes que assistiu sobre o Coringa, deixa-se apaixonar pela fantasia icônica do 'Coringa' e acaba contribuindo ainda mais para o sofrimento de Arthur, mentindo e fazendo tudo virar uma grande farsa, como sempre foi para ele. A esperança que Arthur viu no amor que pensou ter encontrado se tornaria mais uma amarga e fatal desilusão na vida, mais um abuso emocional, mais um tiro à queima-roupa, mais algumas punhaladas de realidade no estômago, matando todas as borboletas que Arthur sentiu por algum momento em outra hora. Em todos os sentidos, Arthur não tem escapatória, mas ao menos ele tem um final digno de uma piada trágica, o que combina com a caracterização da personagem. E, para minhas últimas palavras: se o cachorro era católico, eu não sei, mas que o cachorro era romântico e perturbado, disso eu sei. Nada melhor e mais doce do que um musical bem feito para dar um 'vai com Deus' para o nosso tão querido Arthur. Assistam, vale a pena! 10/10.