Se a ideia do filme era fazer a gente sentir o que a mãe da vÃtima sente — aquela angústia sem fim de procurar um culpado — então acertaram em cheio. O final não entrega respostas fáceis. Pelo contrário: deixa a gente exatamente no lugar dela, tentando adivinhar, criando teorias, e jogando a dor em cima de quem parece se encaixar no perfil do "culpado".
O policial Dixon é retratado como um cara completamente desequilibrado, mimado pela mãe, e que só começa a mudar quando recebe um gesto de carinho e confiança do ex-chefe — quase como se fosse um pai. Isso transforma ele. E aÃ, olha que loucura: dois personagens cheios de traumas — ela, a mãe da garota assassinada, e ele, um policial frustrado querendo ser o herói que nunca foi — acabam se unindo na dor e na busca por justiça (ou redenção).
É um filme pesado, intenso, que te obriga a pensar. Não é feito pra quem espera uma história com começo, meio e fim bonitinho. É pra quem gosta de mergulhar fundo em questões psicológicas, emocionais e humanas. Mereceu sim o Oscar, e mais: daria uma baita série. Mas aviso logo — não é pra qualquer um. Tem que assistir com a mente aberta e o coração preparado.
Resumindo: sensacional. Crú. Profundo. Um soco no estômago.