Mais um livro que Manguel toma o leitor pela mão e passeia pela biblioteca que formou seu histórico de leituras durante a vida. Aqui encontramos Borges, Cortázar, Chesterton, Stevenson, cada qual com sua contribuição relatada pelas palavras apaixonadas de Manguel.
Cada capítulo abre com uma citação de Lewis Carrel. Alice e os personagens fantásticos são citados como introdução ao assunto a ser abordado. O autor começa falando sobre literatura gay na história dos livros (isso mesmo!). Depois conta relatos de suas vivências com Borges (um dos meus capítulos preferidos, mesmo sem nunca ter lido na da de Borges).
Num capítulo dedicado a Che Guevara, Manguel se mostra inclinado a adotar uma visão romântica do guerrilheiro argentino, querendo acreditar que Che não apoiaria as decisões tirânicas de Castro e seu regime. Como o próprio autor diz, não há como saber se Che se distanciaria de Castro ou se apoiaria o regime.
Segue a isso um capítulo (breve) sobre Cortázar, dois sobre sexo na literatura, e então...Mario
Vargas Llosa. O escritor peruano e ganhador do Nobel de literatura recebe todo o respeito (pela literatura) e as críticas (por outras razões) de Maguel.
Outro capítulo, agora sobre tradução e a riqueza do vocabulário, e um capítulo sobre o trabalho e a importância do editor (li duas vezes, meu capítulo preferido na obra). Tem muito mais: revolução, culpa, autores menos conhecidos. Nem todos os capítulos são tão empolgantes, mas a escrita refinada de Manguel é sempre uma satisfação.