โO que nos uneโ nรฃo รฉ um filme banal. ร uma narrativa surpreendente, com paisagens que nos conduzem por uma jornada inesperada, que desarma qualquer preconceito.
Conta-nos a amizade improvรกvel de um agente funerรกrio para quem a vida estรก delineada desde sempre com um entregador de produtos bio, handicapรฉ, desejoso de viver uma experiรชncia metafรญsica. Em jeito de brincadeira, lembra-nos que tudo pode ser relativizado. Que nรฃo hรก leis para a amizade. โEstou-me borrifando Para o que os outros acham de mimโ pode constituir uma liรงรฃo, mas รฉ o simples mote de vida de quem nasce diferente, estuda filosofia por paixรฃo e se interessa pela vida. E pelos outros.
Deixamo-nos levar pelo rumo inesperado dos acontecimentos, pelo improviso das acรงรตes, pela subtileza da ternura inerente ร relaรงรฃo entre recรฉm conhecidos. Dois solitรกrios que descobrem a surpreendente capacidade de conexรฃo.
No fim, fica a curiosidade de descobrir mais sobre estes actores. E, tambรฉm aqui, o resultado รฉ inopinado. A prova de que os dรฉfices sรฃo-no para quem se atรฉm a rรณtulos. Quem "se borrifa para o que os outros pensam" prossegue livremente, pensa com uma ligeireza notรกvel e cria. Sem esquecer de se questionar, cada manhรฃ, a quem irรก agradar nesse dia.
Num mundo onde o vazio intelectual se banaliza, certos indivรญduos escrevem, publicam, actuam e dรฃo que pensar. Dรฃo que sorrir, porque nos dispรตem โde bem com a vidaโ. Benditos sejam!