*O LAGOSTA*
Eu gostei da maneira metafรณrica de problematizar a autoritรกria, fanรกtica e fundamentalista bipolarizaรงรฃo do mundo entre dois extremismos do "contra", do combatente anti alguma coisa, nesta pelรญcula representado pelos extremos do conservadorismo no "antisolteirismo" e da rebeldia no "anticasamentismo". O contexto de apresentaรงรฃo de vรญcios, perversรตes, superficialidades e ilusรตes humanas nas relaรงรตes, por trรกs ou por baixo da estรฉtica moralista conservadora, da frรกgil pseudoรฉtica, que facilmente ruirรก diante das provaรงรตes dos estresses e das torturas da luta pela sobrevivรชncia. E ainda a louca "cegueira" escancarada pela intensa e aparente encantadora extrema paixรฃo disfuncional, de quem, por um lado vive no solitรกrio autismo narcรญsico, totalmente fechado para a comunhรฃo no amor. Resta refletir sobre o que serรก o lugar provisรณrio para cada um no transformador e "revolucionรกrio" ato de amor prรณprio e solidรกrio, incluindo a livre possibilidade da calorosa parceria conjugal, diante dos extremos, muitas vezes compartilhados entre a compulsiva "solidรฃo narcisa" e a da narcรญsica relaรงรฃo focada na impulsiva "paixรฃo tรณxica", alimentando assim a perversidade narcรญsica e destrutiva de ambos extremos: o conservadorismo sem vida no casamento (ou na solteirice) e a rebeldia sem limites na solteirice (ou no casamento). Poderia o amor verdadeiro nos permitir ser livres? Poderia a verdadeira liberdade nos permitir amar?