Pรฉssimo! O mais curioso ou melhor, o mais absurdo emย Lacraรงรฃo de Ferroย รฉ que a protagonista, que supostamente vem de origem humilde, marginalizada e sem acesso a recursos,ย consegue criar uma armadura tecnolรณgica de nรญvel internacional, digna de Tony Stark, mas em vez de usar essa genialidade para transformar sua vida (e do mundo), ela decideโฆ se juntar a umaย gangue identitรกria para assaltar bilionรกrios.
Sim, vocรช leu certo.
Uma garota que poderia facilmente se tornar trilionรกria com suas invenรงรตes, abrir uma empresa, mudar sua realidade, ser um exemplo real de superaรงรฃo escolhe, em vez disso, entrar para um gangue da diversidade com o clรกssico checklist da lacraรงรฃo: o gay excรชntrico, a mulher masculinizada, o homem afeminado, cada um representando um estereรณtipo identitรกrio, e todos unidos por um รบnico propรณsito:ย fazer justiรงa social na base do roubo.
1. A Episรณdio 2โ o homem ridicularizado
No episรณdio 2, hรก uma cena em que um personagem masculino estรก dentro de um carro, completamente passivo e ridicularizado, enquanto a protagonista โ uma menina pobre, negra, โfeiaโ (como a sรฉrie tenta nos fazer acreditar), mas surpreendentemente genial assume uma postura de poder absoluto. A inversรฃo รฉ tรฃo forรงada que beira a caricatura: o homem รฉ tratado como inรบtil, enquanto ela รฉ retratada como uma figura quase sobre humana, sem nenhuma construรงรฃo narrativa que justifique esse domรญnio.
2. "Eu mando porque eu sei mais" โ a menina acima do pai
Em outro momento desconcertante, a protagonista desafia o prรณprio pai, tratando-o como alguรฉm ignorante, e assume a posiรงรฃo de autoridade com base em uma sabedoria quase divina. O roteiro quer que o espectador aceite que, apesar da pouca idade , ela simplesmente โsabe maisโ. A frase โeu faรงo porque eu possoโ (utilizada pelo pai) รฉ usada mais adiante por ela com um ar autoritรกrio, quase messiรขnico, como se ela fosse superior a todos ร sua volta. ร difรญcil nรฃo ver isso como uma tentativa de impor um modelo de empoderamento sem qualquer realismo ou profundidade.
3. A equipe de anti-herรณis โ a diversidade forรงada
No decorrer da sรฉrie, somos apresentados a um grupo de anti-herรณis completamente formado com base em estereรณtipos identitรกrios: um homem gay com cabelo pintado de cores vibrantes, uma mulher com traรงos masculinizados, um homem afeminado todos organizados por etnias, sexualidades e aparรชncias que claramente seguem a cartilha "woke". A diversidade, que poderia ser bem-vinda se fosse natural, aqui parece ter sido montada como um checklist ideolรณgico. Nada contra personagens diversos, mas quando isso substitui a profundidade, a coerรชncia e a boa escrita, o resultado รฉ artificial e raso.