As histórias sobre o passado das personagens tentam esclarecer o leitor sobre o jeito de ser das mesmas, mas as suas motivações são muito fracas e pouco sustentam suas atitudes.
Há um certo exagero que, ao meu ver, impede o leitor de criar um laço de empatia com as personagens principais. Presente e pretérito não se encaixam de forma coesa e, quanto muito, contribuem ainda mais para a confusão de quem lê. Sequer ponho em causa a moral das personagens, pois é evidente que o objetivo é mostrar o lado mais cru, feio e imoral do ser humano. Contudo, há grandes falhas na execução dessa tarefa que simplesmente não conseguem ser perdoadas em momento algum na história.
Pouco a pouco, o livro perde o seu charme. Uma vez que o leitor conhece e se conforma com a natureza das personagens, tudo se torna possível. Tudo é previsível, as reviravoltas já não surpreendem. É chato. Não há outra palavra que o defina.
O final é frustrante e deixa muito a desejar.
Ao longo de toda a narrativa, a autora desenha diversas prosas poéticas que, por um breve momento, quase te fazem esquecer do quão ruim é a história. Estas, sim, são interessantes e envolventes. A nata do livro que, embora escassa, serve como um pequeno alívio para que o leitor consiga seguir com a (penosa) leitura.
Antes de ler “Tudo é rio”, se prepare para o desconforto e se desprenda do que é “moral”. Isso, por si só, não irá te livrar do desgaste que é ler o livro, mas irá te ajudar a chegar até o final.
Não recomendo.