Em três anos, São Paulo extinguiu 41 dos 50 programas de estímulo à cultura autônoma. Em 2022, o PROAC oferecia 50 editais; em 2026, sobraram apenas 9. Teatro, música, circo, literatura, culturas populares, culturas negras e indígenas – todas as expressões artísticas foram atingidas. A queda ocorre justamente quando o Estado recebe recursos federais da Lei Paulo Gustavo e da Política Nacional Aldir Blanc, que deveriam fortalecer o sistema de fomento – não substituí-lo. O que se vê é o oposto: o rio federal chegou, e o rio estadual foi desviado.
Gilberto Gil e Célio Turino transformaram em política pública uma lição fundamental: a cultura brasileira não está apenas nos palcos iluminados, mas nos quintais, nas periferias, nas aldeias, nos pontos de cultura. Quando os editais diminuem, quem sofre não são os grandes operadores culturais, mas os pequenos – grupos de bairro, bibliotecas comunitárias, cineclubes, guardiões da memória local. A exclusão moderna raramente se apresenta como excl

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