Feita de palha, luz e noite, a estrutura efémera que a Lavrar o Mar ergue todos os verões no Parque Industrial da Feiteirinha, em Aljezur, é também uma declaração de intenções: a arte pode acontecer nos sítios improváveis, com os materiais que a terra tem à mão, para as pessoas que aí vivem. Depois de um ano de interregno, o Teatro de Palha regressa para a sua IV edição (de 27 de junho a 26 de julho), desta vez atravessado por uma pergunta simples e difícil: o que fazemos com aquilo que pesa? Teatro, dança, cinema, novo circo, música e até uma refeição colectiva compõem uma programação que reúne artistas de várias geografias à volta de memórias, resistências e formas de continuar. Giacomo Scalisi, codirector artístico da cooperativa cultural que há mais de uma década lavra este território do sudoeste português, explica o que trouxe o intervalo e o que o Teatro de Palha quer dizer - sobre a arte, sobre o lugar e sobre o presente.