Belo filme e atuação brilhante de Fernanda Torres. Além da qualidade cinematográfica, virtuosismo fotográfico, rigor na retratação da época, atuações sensÃveis, a obra consagra um registro documental, histórico e polÃtico de relevância perene. No entanto, como obra artÃstica fÃlmica tive a impressão que a narrativa foi se perdendo ao longo de sua evolução, começando de forma envolvente e contundente até a mudança da famÃlia do Rio para São Paulo, com a respectiva ruptura temporal para os anos 90 e, depois, para a década de 10. Se essas transições objetivaram retratar o livro e apresentar o desfecho histórico da tragédia de Rubens Paiva e a luta de Eunice, cinematograficamente prejudicou o filme como filme. Recaiu-se no velho vÃcio do cinema brasileiro que é a armadilha de reproduzir a linguagem tosca das telenovelas nacionais e a cotidianidade familiar que pareceu um preenchimento sem muita elaboração para cumprir tabela indicando um pendor para a conclusividade, que muitas vezes o cinema e a literatura dispensam. Afinal, um dos méritos dos grandes diretores é saberem a hora de parar. Isso despotencializou o filme para se tornar uma obra prima, embora continue expressivamente notável.