Dirigido por uma mulher, Kitty Green, seria impossÃvel não associar o filme ao movimento #MeToo e à s acusações de assédio atribuÃdas a Harvey Weinstein. Embora se passe na indústria do cinema, eu me identifiquei muito com Jane porque essa é uma história que poderia verdadeiramente acontecer em qualquer área de trabalho. E de fato, acontece. Todos os dias em milhares de escritórios por aÃ.
No longa de Green, Jane não tem uma rede de apoio, é a primeira a chegar e a última a sair, se vê frequentemente sozinha. A fotografia reflete isso através de cores apagadas, acinzentadas, como se aquela rotina fosse tediosa e sem graça. Os enquadramentos retratam a personagem em close-up pensando, muitas vezes sozinha ou quem está em volta, está embaçado, fora de nossas vistas.
A atuação de Julia Garner é incrÃvel porque ela fala com olhares, com gestos. As emoções mais poderosas e significativas gritam no silêncio de Jane, na impossibilidade de compartilhar seus pensamentos. Isto nos causa tensão, uma sensação de angústia terrÃvel.