Pergunte à s Estrelas provou que não importa o tamanho do orçamento, não há dinheiro que salve uma história mal construÃda. Para o investimento aplicado, o resultado do enredo foi frustrante. Só tiro Lee Min-ho da culpa, ele realmente atuou bem. Não sei dizer se foi erro de roteirização, direção ou os dois, visto que ambos os protagonistas possuem outras produções consolidadas e já provaram que são bons atores. Tanto a trama principal quanto as secundárias foram fracas, pouco cativantes, porcamente trabalhadas e superficiais, ao ponto de me fazer questionar se aquilo realmente era o resultado final.
Alguns pontos me incomodaram bastante, mas o principal deles foi a construção da protagonista mulher, que variava entre feições totalmente inexpressivas e neutras em momentos de alta tensão e uma súbita alegria/emoção com coisas supérfulas. Não sei se roteiristas pensam que pra criar personagens mulheres fortes elas precisam ser "frias e calculistas", mas há uma enorme diferença entre um personagem frio e um personagem inexpressivo, ao ponto de não ser possÃvel criar qualquer simpatia por ele/a. Assim terminei a série, sem sentir qualquer simpatia pela protagonista, nem sentir qualquer quÃmica/paixão entre o casal principal. Senti a mesma falta de conexão com o antagonista, o esquisito de cara fechada que é rico.
Literalmemente, de todos, senti mais compaixão pela mãe que perdeu a mórula (e o assunto apenas caiu no limbo da inexistência) e a ex do protagonista, que claramente amava ele [amava de verdade].
Esse é outro ponto incômodo, os assuntos foram porcamente desenvolvidos, desde romances secundários, mães do protagonista, a mãe biológica da protagonista, a relação com os ex's... Não há qualquer esforço de se aprofundar. Inclusive, muitas das coisas acontecem somente porque o Deus-Roteirista quer (e dá para perceber). Não é orgânico.
Mas preciso elogiar as coisas bem feitas: fotografia, direção de arte, efeitos especiais, colorização, iluminação... Merecem aplausos, por isso, duas estrelas. Mas com o orçamento que tiveram era o mÃnimo.
Finalizando, acredito que foi um orçamento bem aproveitado em tudo, menos no principal: direção e história. Dava para ter feito algo muito belo contando a história da mãe que queria ter um filho e não conseguia na Terra, a comandante "fodona" e inteligente que se apaixona pelo turista de bom coração enquanto precisa concilar a vida profissional com os julgamentos de ser uma mulher em posição de liderança, mas a história se tornou uma estranha e sentimental ode à vida, uma substancial crÃtica velada ao aborto, estrangeiros fúteis que magicamente entendem coreano e relações amorosas constrangedoras.
Uma pena, de fato.