Ainda Estou Aqui cumpre com seu propósito com perfeição ao apresentar o enlutamento de uma famÃlia misturado a dor de não saber até mesmo para quem não conhece a história da ditadura militar no Brasil.
No primeiro momento, somos teletransportados para o Rio de Janeiro, onde uma grande familia de classe média se reúne como várias outras em festas e alegria e somos envolvidos na trama, ora pela aflição de saber o que virá em seguida, ora pelo calor e familiriadade que a figura de Selton e Fernanda, interpretando Rubens e Eunice paiva, nos trazem como pais e amigos enquanto pequenos detalhes indicam que a ditadura estava ali. Até que de repente, a opressão alcança a familia paiva e Rubens é convidado a acompanhar alguns homens para um interrogatório "rápido", depois disso, acompanhamos o processo de busca por justiça e dor da esperança daquela famÃlia de que Rubens voltaria para casa, entretanto, o filme trabalha de forma excepcional pois no momento de despedida e olhares entre ele e sua esposa, a atuação de Fernanda e Selton mostram-se impecáveis, pois não eram necessárias mais palavras para entendermos no fundo de nossa consciência que Rubens jamais retornaria.
Dessa forma, a obra torna-se uma jornada sentimental intensa e que deixa a necessidade de justiça para o telespectador, é o tipo de impacto que esse espécie de filme precisa causar para cumprir seu objetivo de incentivando a vigilancia pela democracia e a proteção da mesma em um perÃodo tão tenso quanto o atual onde os direitos do povo são frequentemente questionados e ameaçados. Esse é o tipo de filme que mostra que apesar do medo, apesar da dor, apesar da desilusão e das dificuldade, ainda estamos aqui.