Foi decepcionante ler que a personagem estuprada e morta foi descrita como uma mulher que gostava de ter atenção dos homens, como se isso fosse uma justificativa para o que aconteceu a ela. A melhor amiga da personagem chega a descrevê-la, depois de morta, dessa forma machista.
Triste perceber que o estupro e o homicídio foram relatados, mas entrelinhas, como um final “compreensível” tendo em vista as atitudes da personagem.
Além disso, todo o livro leva a crer que o estupro de Becca ajudaria Kesley a se desvencilhar de seus próprios fantasmas. Contudo, essa interface não é nem sequer explorada e quem sai se salvador, no fim das contas, é um homem que “faz qualquer coisa” pela Kesley.
Um tema tão sensível para as mulheres foi mais uma vez explorada (por um escritor homem, ora veja) de uma maneira rasa, fácil e desvalorizada.
Lamentável.
Ah sim, isso sem contar as inúmeras inconsistências, fatos divergentes e relatos sem explicação deixados ao longo do livro.