Orange Is the New Black se propõe a mostrar, de forma crua e aberta, as complexidades e mazelas de um ambiente prisional. Nas primeiras temporadas, o drama é bem estruturado, com tramas envolventes e personagens cativantes. No entanto, em momentos posteriores, a série deixa a desejar: algumas narrativas ficam mal desenvolvidas e certas cenas se tornam desnecessárias, especialmente aquelas excessivamente sexualizadas. Nessas passagens, tive a impressão de que o corpo das atrizes era explorado para atrair público, como se os espectadores fossem ingênuos e aceitassem tudo sem questionar.
Um exemplo que me gerou desconforto foi a cena em que a equipe da SWAT invade a prisão com equipamento antimotim, e Piscatella é atingido. Fica a dúvida: como um presÃdio desse porte não possui câmeras de segurança? Situações como essa comprometem a verossimilhança da trama.
Infelizmente, a série se encerrou na sétima temporada, o que me deixou com vontade de mais: cenas e conflitos ficaram soltos, e seria interessante ver como algumas tramas poderiam ter sido resolvidas. Apesar disso, Orange Is the New Black continua sendo uma produção que provoca reflexões sobre poder, violência e a condição humana, mesmo que nem sempre consiga equilibrar suas escolhas narrativas.