A escrita da autora é envolvente e prende o leitor, mesmo quando a história não agrada. Li rapidamente e acredito que a maioria fará o mesmo. Vale a leitura, porém...
*Contém spoiler*
1. O sonambulismo poderia ter sido mais explorado para dar contexto ao pânico da protagonista e à atitude da mãe. Quando a mãe descobriu o problema da filha, ao invés de protegê-la, escolheu se afastar, com medo dela. Isso não faz sentido, já que a filha era apenas uma criança, e nada na história indica que a mãe fosse tão péssima a ponto de tomar uma decisão tão extrema. Por isso, esse aspecto merecia ser mais aprofundado.
2. A história do manuscrito é interessante, mas, sendo verdadeiro ou fictício, não faz sentido que Verity ou sua personagem, tão obcecada por Jeremy, decidisse se machucar e deixá-lo livre para outra mulher. Se ela era realmente tão perturbada, faria mais sentido que tentasse morrer com ele, e não sem ele.
3. A carta que Verity deixa para Jeremy não convence. É difícil acreditar que alguém conseguiria fingir paralisia por tanto tempo. Além disso, uma mulher inocente, que foi quase morta pelo marido — não importa o motivo —, e que o encontrou no quarto transando com outra mulher enquanto ela estava de cama, jamais escreveria uma carta dizendo que ainda o amava. Tudo isso enfraquece a dúvida sobre Verity ser boa ou má e diminui o impacto do mistério.