"O Grito" (2020) é um filme que ninguém pediu. Por si só, a ideia de fazer um reboot de uma obra que não teve um fim não é boa. Mas, surpreendentemente, Nicolas Pesce consegue tornar algo ruim algo pior ainda ao abandonar os fantasmas icônicos dos filmes anteriores e substituÃ-los por cópias mal feitas de outras assombrações que aqueles que consomem esse tipo de conteúdo já se cansaram de ver. Parece que ele entrou no banco de dados de filmes de terror e pegou os primeiros fantasmas que encontrou.
A trama em si não tem pé, cabeça e muito menos desenvolvimento: alguns personagens até conseguem atrair um mÃnimo de afeto do telespectador — ponto positivo pro elenco, que conta com figuras talentosÃssimas —, mas em vão, já que desde o inÃcio o filme não tem pretensão alguma de criar mistério (tanto no fato de que todos vão morrer, quanto em absolutamente nada, já que explica até o que não precisa ser explicado).
Toda a trama cansativa de investigação não tem sentido algum e chega até a ser irritante tentar entender o que tanto a protagonista procura, afinal não há nada escondido, é tudo extremamente óbvio, inclusive os sustos (que, por Deus, que sustos bobos). Até há alguns acertos aqui e ali, mas, no geral, são péssimos.
O filme até consegue criar uma atmosfera pesada (que em certos momentos remete ao clássico dos anos 2000) e trabalha bem os efeitos visuais, mas é só isso.
No fim, "O Grito" em nada acrescenta à franquia, pelo contrário, retira elementos importantes que tornavam os filmes anteriores atrativos, perde-se na própria tentativa de criar algo e vai e vem em umas tramas sem pé nem cabeça que fazem a gente sair do filme achando que nem entrou. O único grito que pode ser dado assistindo a esse filme é um bocejo que sai alto demais.