Uma das melhores leituras da minha vida, criei um carinho muito grande por esse livro. Escrita muito fluida, te prende de um jeito ótimo. Tinha tempo que não sentia isso por um livro... Isso de querer ler a qualquer tempo livre que tinha. Se gosta de ficção histórica, vai amar. Se curte histórias de época, ambientadas nos anos 50, 60, 70, também vai curtir.
Me apaixonei pela complexidade dos personagens e principalmente sobre como a dicotomia é muito explorada, ao mesmo passo em que a Evelyn Hugo se revela quem é, e rasga totalmente a imagem mística, lendária e inacessível que se tem sobre ela. É muito bom entender que cada uma das coisas que foram faladas sobre ela na mídia ficcional, na verdade foram distorcidas, armadas, inventadas ou têm uma verdade oculta muito profunda que as motivou. Você sente como se realmente tivesse conhecendo alguém, camada por camada.
O lado bom e lado ruim das pessoas e situações conseguem ser retratados de modo a nos fazer refletir que a humanidade não é só aquilo que nos agrada, a compaixão, o sentir genuíno, mas que também faz parte da natureza humana a ambição, o erro com a intenção de proteger quem amamos e até mesmo a falta de benevolência em prol da determinação. Também nos faz pensar sobre a expectativa que criamos sobre artistas e pessoas, sobre tomar cuidado com idealizações e sobre como as coisas mais verdadeiras na vida são sentidas e vividas apenas por nós mesmos, muitas vezes sem que ninguém tome conhecimento.
No caso de Evelyn, embora para o resto do mundo a maior ênfase de sua existência tenha sido a hiperssexualização, os 7 maridos e a sua carreira de atriz, é notável que embora ela fosse muito conhecida por milhares de pessoas, praticamente ninguém a conhecia de verdade. As relações mais verdadeiras e puras de sua vida foram Harry, Celia e Connor - e nenhum tabloide poderia fazer ideia disso, e consequentemente as milhões de pessoas que idolatravam e idealizavam Evelyn Hugo também não.
É muito bonito saber sobre esses amores e entender que mesmo em meio a muitos erros, Evelyn Hugo também mereceu amor e foi muito amada. Foi uma fortaleza e aprendeu a ser vulnerável.
É triste, é verdadeiro, é bonito e também te faz pensar algumas coisas sobre si mesmo e suas escolhas. Ao mesmo passo que Monique Grant se identifica com Evelyn e espelha a história dela à sua própria vida, você também possivelmente vai fazer isso, mesmo sem perceber. Quando cair em si, vai estar refletindo sobre si mesmo, principalmente se for mulher e/ou LGBTQIAP+.
No fim, você vai pensar que ela realmente existiu - na verdade, pode até se recusar a acreditar que ela é uma invenção. Mas talvez caia em si: mesmo no mundo ficcional de Taylor Jenkins, onde Evelyn Hugo realmente existiu, ela também foi inventada de certo modo. Parece proposital.
Você só vai entender tudo isso lendo.