Coringa 2: um banho de insight para quem entendeu que o objetivo do filme é não atender expectativas, nos coloca numa intensa reflexão, para muito além do final, sobre nossa natureza e nosso protagonismo social.
A rejeição maciça ao filme, do público frustrado em sua expectativa, representa a rejeição romântica sofrida por Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) por Lee Qinzel (Lady Gaga), a personificação da nossa própria expectativa.
Frágil e invisÃvel, abusado e oprimido, Arthur aceita o papel infligido por seus algozes e passa do palco ao confessionário, numa redenção quase cristã, mas rechaça sua penitência pelos "homens de bem", representados pelo júri, onde se embute a hipocrisia dos sistemas instituÃdos para reabilitar doentes mentais e criminosos, insensÃveis à loucura que liberta e denuncia.
Profundo, o filme trata, principalmente, de representatividade (e consegue explicar, para quem é ideologicamente contrário, como Paulo Marçal recebeu 1/3 dos votos na eleição para prefeitura da cidade de São Paulo).
É a psicoterapia de que nossa sociedade tanto precisa.