Está mais para Anaconda do que para Jurassic Park. A estrutura narrativa é praticamente idêntica: um grupo de pessoas parte em expedição para uma floresta em busca de algo e acaba se deparando com criaturas gigantes — antes eram cobras, agora são "dinossauros". Até aí, nada problemático. O problema é que Jurassic Park sempre foi muito mais do que essa fórmula simplória: tratava-se de um filme que, ainda que com licenças criativas, usava a genética e a ciência como eixo narrativo, além de tornar os dinossauros os verdadeiros protagonistas e ícones culturais.
Em Jurassic World: O Recomeço, no entanto, a centralidade se perde. A obra desloca o foco para dramas pessoais de personagens pouco cativantes e resgata clichês banais, como o “vilão do grupo”, movido unicamente pela ganância e cuja traição é previsível desde a primeira cena. A única sequência que realmente se aproxima do espírito original é a aparição do T-Rex, talvez porque seja a única criatura que conserva alguma essência dos dinossauros clássicos da franquia.
O restante incomoda profundamente: não é um filme sobre dinossauros, mas sobre monstros genéricos. As deformações nas criaturas fazem com que elas se assemelhem mais a demogorgons de Stranger Things do que a répteis mesozoicos. Isso trai a expectativa fundamental do público: quem busca Jurassic quer ver dinossauros, não aberrações indistintas. Em suma, o filme dilui a identidade da saga ao trocar ciência e criaturas icônicas por convenções baratas de terror e ação.