Tinha tudo para ser um ótimo documentário. Porém, ficou muito aquém do esperado.
Já começa errado porque o tÃtulo é hiper sensacionalista e sem pé, nem cabeça: Congonhas não é uma tragédia anunciada. Caberia muito mais um tÃtulo com o código do voo e, aà sim, usar o termo tragédia anunciada.
A série começa muito boa, mas muito boa mesmo, quando foca nos parentes das vÃtimas. Se tivesse ficado nisto, seria uma série incrÃvel. Mas decidiram trabalhar com um roteiro muito amplo e complexo e se perderam no script: começam com a mesma sanha da TV ao tentar achar e apontar um único culpado, batem na tecla "governo" e, pra piorar, ficaram num vai e volta sem sentido para colocar o Apagão Aéreo e as obras do aeroporto no contexto do acidente. Bônus: fizeram o mesmo ao enxuxarem o acidente da Gol no rol e até indo parar na Ditadura Militar para explicar uma outra coisa fora do contexto do acidente.
Outra coisa: não chamaram nenhum especialista em acidente aéreo, nenhum engenheiro aeronáutico, mas meteram um monte de advogados. Ora, se o roteiro quer explicar o acidente, confrontar versões e visões, não seria só com os advogados explicando o acidente que conseguiriam isso - a justificativa final de que a FAB não demonstrou interesse foi bizarro, aliás.
Por fim, este vai e volta em temas explicados e o excesso de foco em certas personalidades da época deixou pouco tempo para que explicassem melhor um monte de coisas que deixaram nas entrelinhas neste documentário. Um exemplo disso é que não explicaram os motivos que levaram dos pilotos que tralhavam na TAM, no geral, a adotarem um procedimento alternativo e não seguirem o manual da Airbus em dados procedimentos - existe uma explicação para isso e simplesmente deixaram de fora.
Enfim, uma pena. E isso dói mais ainda pelo fato do pai de um amigo meu ter morrido neste acidente.