Quando comecei a leitura deste livro, minha alma estava atravessada pelas dores de um amor ainda vivo que havia chegado ao fim. Buscava respostas, e, mesmo não sendo um romance, encontrei-as ali. O livro não fala sobre o amor romântico, mas mergulha no abandono, na solidão e no desamor. O que parece ser o oposto acabou por me responder.
Eu também fui Júlia. Vivemos a mesma dor. Mas, ao contrário dela, essa dor não me fez apreciar estar sozinha. Essa dor me fez odiar estar sozinha. Era o meu karma. Tudo o que eu mais queria na vida era me sentir amada, sentir que tinha uma família. Cheguei ao ponto de transformar o mínimo em máximo, de me cegar para o que realmente era.
Eu estive como Júlia: sozinha a dois. Tentando encontrar ou talvez preencher, em alguém que não podia segurar esse peso, todo o afeto que eu não soube dar ou que nunca me foi dado. Lembrei dos meus pais – tão parecidos com os da Júlia. Lembrei de mim.
No fim, dancei, junto com Júlia, a pequena e grande coreografia do adeus. Mesmo não sendo uma boa bailarina, mesmo carregando passos incertos, cantarolei as coisas mais bonitas do mundo a todos, ainda que nunca tenham me ensinado muito sobre o amor. Tudo o que sei dele é o que sou.
E a vida, como o livro me mostrou, não espera pela hora do bis.