Apocalipse nos Trópicos"... vocês achavam que o título se referia a quê, exatamente? Era de se esperar que o documentário abordasse justamente a religião que mais fala sobre o fim dos tempos — e foi exatamente isso que aconteceu. O título não é apenas sugestivo, é praticamente uma entrega. Ainda assim, muita gente parece ter sido pega de surpresa, como se esperasse outra coisa. Se nem o título conseguiram interpretar, imagine compreender a profundidade da obra em si.
Ao longo do documentário, fica claro que a proposta não é sensacionalista, mas analítica. A diretora se debruça sobre as raízes e ramificações de um discurso apocalíptico que influencia, sim, a forma como parte da população enxerga o mundo, a política e o futuro. E para não deixar dúvida, no final da obra ela ainda apresenta o significado de "apocalipse" — que vai muito além de destruição e caos. “Apocalipse” significa revelação, desvelamento. Está tudo ali, explícito. Mas parece que, mesmo quando está na cara, tem gente que prefere ignorar.
Talvez o problema não seja a clareza da obra, mas o fato de que ela não se encaixa nas expectativas de certos grupos que exigem uma camada a mais de “wokeness” — termo que, aliás, vem de “wake” ou “despertar”. Paradoxalmente, são justamente essas pessoas que, em nome de um discurso supostamente mais consciente, acabam demonstrando uma enorme resistência a enxergar o que está diante dos próprios olhos.
No fim das contas, o título não enganou ninguém. O que faltou foi leitura crítica, abertura para o simbólico e, principalmente, disposição para enxergar que nem tudo precisa ser mastigado com rótulo ideológico para ter profundidade.