Não é qualquer banda que continua surpreendendo o seu público mesmo depois de 30 anos de existência, tal como o Angra fez com o incrível Cycles of Pain.
Nesse álbum que mistura power e progressive metal na medida certa (como o Angra sempre fez), a banda olhou para o futuro ao mesmo tempo em que resgatou os três pilares clássicos que a definem; mesclando influências brasileiras (Vida Seca, Faithless Sanctuary), heavy metal e elementos de música erudita (Ride into the Storm, Tears of Blood) com primor e maestria.
Um aspecto muito positivo desse disco é o fato de ele modernizar o power metal tradicional, que se tornou um gênero algo previsível e enjoativo com o passar das décadas. Mesmo em músicas rápidas e épicas, como Ride into the Storm, Generation Warriors e Gods of the Worlds, há momentos de quebra e peso, o que confere um ar de frescor às faixas, agradando tanto os ouvintes mais saudosistas quanto os que almejam o novo.
No entanto, ao meu ver, o Cycles brilha ainda mais nas faixas em que se desapega da fórmula do metal melódico e explora facetas e sonoridades que dialogam mais com o momento atual da banda, como em Dead Man on Display (com seu peso de thrash metal), Faithless Sanctuary (canção extremamente criativa e experimental), Vida Seca (uma faixa que possui a brasilidade do Holy Land e o tom épico, mas progressivo, do Temple of Shadows) e Tears of Blood (que incorpora a música clássica de uma forma diferente, por meio do canto lírico do Lione).
Mesmo sendo muito técnico, o Cycles of Pain também é um álbum denso, atmosférico e repleto de emoção, que dialoga diretamente com as experiências do ouvinte, ajudando-o a compreender a dor como um aspecto inerente e necessário ao ser humano. Isso se verifica nas ótimas letras e baladas da banda, sendo a faixa título uma música que é bem-sucedida na difícil tarefa de transmitir emoção sem soar piegas, tornando-se basicamente a "Rebirth" dessa terceira formação.
Em suma, o Cycles é um álbum maduro, moderno, bem-feito e repleto de emoção que já se tornou um clássico da banda, habitando o hall de obras primas do Angra juntamente com o Holy Land e o Temple of Shadows.
Destaque para os vocais e para as melodias excepcionais do Fabio Lione, que se consagrou efetivamente como a voz e o rosto do Angra.
Favoritas: Ride Into the Storm, Dead Man on Display, Vida Seca, Cycles of Pain e Tears of Blood.
Faixas que poderiam ser melhores: Generation Warriors e Gods of the World.