Prezado Hiromasa
Como o Senhor está? Após 15 anos de lançamento, eu tive o prazer de assistir a sua obra: Karigurashi no Arrietty. A autora Clarice disse em seu livro: “Resta a esperança. E, se eu pressinto que ela é inútil? Ainda resta a esperança – A descoberta do mundo”. Acredito que não vera minha avaliação, mas se acaso um dia chegar ate o senhor, obrigado. Você juntamente com toda sua equipe fez um trabalho extraordinário. Havia pequenos e grandes detalhes, na ambientação japonesa, nas gotas, no jardim, em variados tons de verdes e as flores que dançavam com o vento. Não tenho palavras para descrever o quanto foi bom assistir sua obra.
Onde cabe tantos medos dentro de um corpo tão pequeno? Sua obra me proporcionou uma poltrona fofa, o sabor de um chá que ainda não provei, mas me inspirou a procurar. Como eu explico essa sensação?
Eu esperei, esperei, esperei. Pensei em tantas possibilidades, ele vai falecer e se tornar um pequenino, vai dar tudo certo na cirurgia, ela vai esperar ele volta da cirurgia antes de ir embora, os dois vão continuar se vendo com o passar do tempo, então você me apresenta a despedida da amizade, a esperança do reencontro, da continuidade do filme. Com toda minha sinceridade, doeu, doeu muito quando ele deu aquele cubo de açúcar, quando ela deu a presilha de cabelo. A forma como ele sorriu com o nascer do dia, a forma como ela observava a vida ao redor em cima da chaleira indo para um novo lugar.
Aquele momento eu percebi que ela não estava com medo, por que ele a ajudou, percebi que ele estava mais disposto e vivo por que ela estava no coração dele. Era como se ele não aceitasse mais a morte e como se ela sentisse que poderia enfrentar qualquer coisa. Eu queria, com todo meu coração que eles continuassem se vendo, que aquela amizade continuasse a existir e que jamais eles se afastariam. A verdade e que eu não queria que eles ficassem longe, se a solidão voltar? Se o medo voltar? Se desistir de acreditar na vida?
Graças ao empenho de sua equipe e o seu empenho meu coração está aquecido com tantas coisas que acontecem em nossas vidas reais, tudo e imprevisível. Não e tarde para tentar dar continuidade, mesmo que o Studio Ghibli não tenha feito isso antes. Devo admitir que continuar seria uma decisão perigosa.
Atenciosamente,
Roberta.