Esse Tarantino é maluco. De onde ele tira tanta criatividade? O filme não é de ação mas te prende até o final e premia com um desfecho espetacular, imprevisÃvel, desde que você não desista e consiga chegar até a metade, pois o que vier depois é criatividade na essência. Leonardo Di Caprio e Brad Pitt estavam na medida e Margot Robbie parecia a própria Sharon Tate. Pela 1a vez na vida consegui me colocar no lugar de um ator de cinema filmando; quase senti o que o Rick Dalton sentiu quando fez uma autocrÃtica da carreira ou quando chegou pra filmar de ressaca. Só atores que se entregam ao ofÃcio de verdade, orientados por uma mente criativa como a do Tarantino pra possibilitar essa experiência pro espectador.
Sem querer dar spoilers, mas dando, a forma como o roteiro foi feito esquece um pouco da relação entre os personagens da Margot Robbie, do Brad Pitt e do Leonardo Di Caprio.
Em determinado momento ele foca em mostrar como era o cinema em Hollywood à época, inclusive como era a vida de um dublê, sem deixar de ligar os pontos, de forma tênue, dos hippies que viviam no Spahn Ranch com os protagonistas do filme, com tempo para quebrar paradigmas, como na cena com o Bruce Lee e o Brad Pitt.
A última meia hora - um epÃlogo - é mais frenética e ele junta todo mundo, sem estabelecer contato visual, e mostra o desfecho da história do Charles Manson, sob a ótica dele, Tarantino, da mesma forma como fez em Bastardos Inglórios.
O resultado não podia ser melhor. Quem ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante foi o Brad Pitt, mas quem merecia o de melhor ator foi o Leonardo Di Caprio.