Coma: Dimensão do Futuro é aquele tipo de filme que chama atenção à primeira vista: visualmente estilizado, com um universo promissor e uma estética que mistura sci-fi e surrealismo como poucos filmes russos ousaram fazer. A ambientação parece ter saÃdo direto de um sonho lúcido arquitetado por um fã de Inception e Matrix, e isso, sem dúvida, é o ponto mais forte da obra.
O problema é que o filme parece tão fascinado com a própria estética que esquece de escrever um roteiro que respire. Tudo é apressado. Os diálogos são secos, expositivos e sem alma. Não há tempo para nuance, não há tempo para construção — nem dos personagens, nem das relações entre eles. Tudo soa como um grande rascunho de algo que poderia ter sido incrÃvel, mas foi entregue à s pressas.
Os personagens são um desfile de estereótipos visualmente fodões, mas vazios por dentro. O misterioso, o lÃder, o rebelde... todos apresentados como se bastasse o figurino e um olhar sério pra te fazer se importar. Mas não cola. Falta carisma, falta vulnerabilidade, falta aquele toque humano que faz você se apegar, torcer, se importar. No fundo, parece que o filme espera que você se envolva com os personagens só porque eles parecem legais — e não porque são bem construÃdos.
A lore do universo é, sim, interessante. A ideia de um mundo moldado pela mente, em um limbo entre a vida e a morte, tem um puta potencial. Mas tudo é explicado de forma direta, didática, sem mistério, sem camadas. É como se o roteiro tivesse medo de te deixar confuso, e nisso, abre mão da magia da descoberta.
Em resumo: Coma é uma bela embalagem com um conteúdo raso. Não é um filme ruim — é um filme frustrante. Porque dá pra ver o quanto ele poderia ser bom, se tivesse mais tempo de cozimento, mais cuidado com o desenvolvimento e menos pressa de parecer estiloso.