O filme atinge uma beleza visual considerável, mas tropeça na incoerência de sua própria narrativa, criando uma experiência tão bela quanto eticamente questionável.
Luc Besson constrói um estilo gótico e teatral, de atmosfera imersiva, que humaniza o monstro de forma sensível e visualmente poderosa, algo que o livro original nunca pretendeu, mas que funciona dentro da liberdade poética, dando ao mito do vampiro uma dimensão emocional e poética, cheia de simbolismos.
Ainda assim, o filme peca por sua irresponsabilidade narrativa e teológica. A mistura de catolicismo, reencarnação e misticismo oriental forma uma “salada espiritual” que carece de coerência. A obra usa símbolos religiosos como ornamento visual, mas sem compreender o peso simbólico que eles carregam. Ao tentar unir crenças e filosofias opostas sob um mesmo enredo, o filme perde o sentido da própria fé que invoca, enfraquecendo a dimensão espiritual que poderia torná-lo verdadeiramente profundo.
Além disso, a obra ignora as complexidades históricas que cercam Vlad, o Empalador, e o contexto de sua época, o que é perigoso, pois reforça versões romantizadas e distorcidas da história. Quando a arte de grande escala opta por seduzir em vez de contextualizar, ela se torna cúmplice do apagamento cultural.