Avaliação 5/5
Gênero: Suspense
CONTÉM SPOILERS.
O livro é fluido e instigante, discute sobre negligência familiar, maternidade e os tabus e expectativas a cerca do assunto. Blythe desde o começo não é uma personagem confiável por conta de seu histórico familiar, mas não tem como julga lá diante seus atos com sua filha, quando a separamos da maternidade e havemos como uma pessoa. Durante todo tempo é impossível dizer se a Violet é culpada pelo atos que a Blythe suspeita ter visto a fazendo, e ainda que a menina fosse responsável por tais acontecimentos, seria difícil escolher qual seria a forma mais adequada de coordenar toda a situação, não apenas para repreende-la mais também educa-la. Ao final do livro, fica claro que o marido de Blythe é negligênte com a menina, diante todas as situações de conflito, ainda que a narrativa do livro a todo instante leve ao telespectador a dívida do julgamento de Blythe, tornando a verdadeira culpada já que somos suscetíveis a levar em consideração tudo o que seria moralmente correto ou não, se desprendendo de alguns paramentos, é possível ver a história como ela é, sem dúvidas sobre Blythe, sem cortejo ao seu marido e com pesar e cautela sobre os atos provocados por Violet. Acredito que a autora tenha sido genial em cogitar escrever um suspense sobre o assunto, já que é tão incomum vê-lo empregado com o este gênero. Seria interessante ver a história pela perspectiva de alguém que realmente viveu a maternidade. Ainda que Blythe não tenha tido o comportamento e o afeto esperando por qualquer um que estivesse tendo a mesma experiência, ela ainda era mãe e agia como tal, diante tudo o que estava acontecendo. Temos a perspectiva de três gerações de mulheres sobre a maternidade e de como tudo era incrível e pavoroso ao mesmo tempo. De como o medo, a euforia, o amor e a exaustão faziam parte da mesma narrativa mesmo que todas elas fossem descartadas e inválidas de sua própria história, tornando-as para muitos, loucas e mãe negligentes.
Frases em destaque:
“Eu me lembro de um dia me dar conta de como meu corpo era importante para nossa família. Não meu intelecto, não minhas ambições de uma carreira literária. Não a pessoa construída ao longo de trinta e cinco anos. Só meu corpo.”
“Pensei em maneiras de fugir. Ali, no escuro, enquanto meu leite fluía e a poltrona balançava. Pensei em devolvê-la ao berço e ir embora no meio da noite. Pensei em onde estava meu passaporte. Nas centenas de voos listados nos quadros de partida do aeroporto. Em quanto dinheiro eu conseguiria sacar de uma só vez no caixa eletrônico. Em deixar meu celular ali, na mesa de cabeceira. Em quanto tempo levaria para o leite secar, para meu seios se livrarem das provas de que ela havia nascido.” (p. 57)