Eu daria nota máxima para esse filme se no final fosse exposto que a Summer era narcisista, afinal, ela agiu exatamente como uma pessoa narcisista do começo ao fim do filme, não demonstrando qualquer tristeza, admiração ou remorso por via de expressões faciais e *atuação dramática (*atuação essa que é comum em filmes onde acontecem brigas de casal ou término de relacionamento).
A direção, infelizmente, parece ter cometido o erro de não instruir a atriz a demonstrar mais humanidade nos momentos de infelicidade do Tom diante dela ou talvez essa ausência de emoção tenha sido proposital e a proposta do filme seja normalizar o comportamento desumano da Summer, como se fosse um comportamento comum a ser esperado de qualquer mulher ou homem, como se a humanidade tivesse voltado à época em que a espécie não possuÃa expressões faciais e ninguém confiava muito em ninguém, já que não havia qualquer mÃnima sinalização de honestidade, haja visto que expressões faciais (ainda que possam ser manipuladas) geralmente são involuntárias e externalizam emoções de forma honesta, assim como o ato de chorar até a cabeça doer costuma indicar que a pessoa realmente se importava com aquilo ou com quem perdera. Caso essa última hipótese seja a verdadeira, então, o filme passa uma visão puramente utilitária sobre os relacionamentos, o que no longo prazo, na vida real, não se sustenta e leva a situações como separação, traição e aturação autoinfligida; sofrimento em prol de manter as aparências e padrões de expectativa social.
No entanto, o filme deixa bem claro a verdade sobre o quão injusta e egoÃsta a Summer foi, quando, em uma das cenas finais, o Tom fala sobre como ela havia dito que não queria namorar ninguém e do nada decidiu casar com um cara, com ela respondendo logo em seguida que ela apenas não tinha certeza de nada e do dia para a noite passou a ter certeza com outra pessoa, sendo esta uma resposta vazia de sentido lógico, similar a apenas dizer "Por que sim, mané".
Nota-se que ao dizer tais palavras ela continua sem demonstrar o mÃnimo de remorso pelas suas ações, incluindo as ações em que ela deu esperanças ao Tom e continuou a ter contato com ele mesmo quando ele tentou ignorá-la no trem.
O sorriso da Summer quando ela vai até o Tom, no trem, com ele tendo tentado ignorar que ela estava ali (afim de evitar sofrer mais após ela ter dito que só queria amizade), mesmo após o Tom ter verbalizado várias vezes, durante o filme, que não a via como apenas uma amiga e sim como futura esposa, é um sorriso narcisista bastante evidente e frio, incoerente com a situação, como se ela tivesse perdido a memória, como se ela não soubesse que o Tom a amava e que ela deveria deixá-lo em paz.
A Summer não deu apenas esperanças ao Tom, ela fez sexo com ele e fingiu que estava tudo bem no relacionamento, mesmo quando ela visivelmente não estava mais confortável com a presença dele (que ela mesma buscava). Isso fica evidente no decorrer do filme e até mesmo enfatizado em cena especÃfica quando o Tom pergunta sobre uma música que ele mandou para ela, como a primeira faixa do CD, e ela diz que nunca ouviu, mas ainda continuava saindo com ele.