Eu sou branca nem imagino o tamanho da importância da representatividade de protagonistas negras para meninas e mesmo mulheres, sei que não posso falar muito sobre e nem quero, mas infelizmente o filme não é bom e não poder expressar críticas nem mesmo construtivas, é angustiador. Sem poder expressar opiniões, decentes, é claro, sem violar preceitos básicos de respeito, como iremos ditar o que consumimos? seremos seres alienados consumindo qualquer quinquilharia e sendo controlados facilmente.
Não sinto que o filme foi bem produzido, a iluminação ficou péssima, mal dava para enxergar as cenas com ausência de luz, os personagens ficaram tão caricatos que causa mal-estar, a cena do personagem de Javier Bardem conversando com Sebastião chega à ser embaraçosa. A atriz Halle é linda, visivelmente talentosa, sua voz é encantadora, mas chega à ser lamentável assistir o papel à que foi e aceitou ser submetida, o mesmo para outros personagens como o príncipe Eric que chega à destoar tanto na aparência quanto na personalidade, foi rapidamente de um personagem de animação tão interessante para um personagem humano tão vago.
É interessante a ideia da representatividade com as irmãs de Ariel, cada uma com uma etnia embora, fica à desejar também, mais uma peculiaridade marcante da versão de 1989, os nomes das filhas de Tritão que começam com a letra A, não compreendo o motivo de retirar também esse detalhe.
A característica da personagem de Ariel desde 1989 é o seu cabelo vermelho vívido e isso, ainda que relutem, permanece como um traço marcante mas nessa versão do live-action, seu cabelo mal se destaca, causa a sensação de quase como se a personagem fosse apagada, nem parece que estamos assistindo uma versão de 1989 da Disney e ainda que muitos tentem usar o argumento de que a história de A Pequena Sereia original seja de tal jeito, essa se trata da Disney e não da versão original, ao contrário não seria produzido pela Disney, baseado em sua versão de 1989 e com os personagens da versão de 1989 da Disney.
Seria mais agradável assistir Halle em outro papel de destaque, ainda que fosse uma sereia mas em uma versão primária e não na tentativa de releitura e para aqueles que estão informados sobre o não tão notório falso discurso em cima de uma temática que é realmente tão importante, mas usado pela Disney que se aproveitou dessa questão racial para se promover, muito mais do que em lucros mas na tentativa de se fomentar como empresa filantrópica ainda mais depois do vazamento de informações sobre as demissões de funcionários lgbtqiapn+
Infelizmente se a Disney tiver de lidar com fracasso de bilheteria é apenas uma consequência de sua ganância, desespero por maior integração nesse meio de streaming, no público jovem. Sinto que a Disney de hoje, infelizmente como outra qualquer empresa, deseja cada vez mais se entrosar no mercado atual que acaba perdendo sua essência.